Somos um, mas somos vários, num mesmo, num só, num único corpo-espaço, somos um e um milhão, num suposto coração que guarda por dentro o prazer de estar quase todo pro lado de fora, quando bate e explode pro mundo o tudo que tem aqui nesse nosso corpo todo cheio de coisa, todo louco pra fugir do sufoco que é guardar o todo dentro da gente. É por isso que a gente se reparte e faz de tudo um pouco, correndo num infinito corredor cheio de portas abertas, voando mesmo sem asas, suspirando mesmo sem vento e amando mesmo sem ser amado. O tempo é vasto e rápido, a vida é breve, mas leve e boa. Num piscar ou num olhar, a vida voa pro lado de lá e, depressa, a gente tenta alcançar a pressa de ser um só, quando o que resta é a beleza de sermos muito mais que um. Sejamos, então, mais. Sejamos o que somos: soma.

Giovanna Zambianchi  (via escrevinhar)